Batman vs Superman Sandy e Júnior

Batman vs Superman: roteiro inspirado em Sandy e Júnior? Sim!

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Muitos estão ansiosos para ver Batman vs Superman no cinema e finalmente entender porque os dois grandes heróis da DC vão lutar entre si, com tanto super vilão solto por aí. Claro que, graças ao inacreditável clima de antecipação que é criado pelos estúdios nos dias de hoje, já sabemos há anos que esse filme é uma “desculpa” para montar a Liga da Justiça e finalmente tentar concorrer com o sucesso de Vingadores (aquele grupo que ninguém conhecia e que parecia imitação de Liga da Justiça quando mencionado. Parece que o jogo virou, não é mesmo?), da Marvel.

Mas, ao ver os dois primeiros trailers, tive a legítima impressão de que já conhecia aquela história. E foi ao cantarolar uma música por acaso na hora da faxina (diário do macho moderno) que me lembrei de onde já tinha escutado esse roteiro. Da música…

Super Herói, de Sandy & Júnior

Primeiramente, excelente interpretação de Júnior, muito emocionante, surpreendendo a todos nós logo no último álbum dessa dupla que mora nos nossos corações, o Acústico MTV. Segundamente, dê o play no vídeo para acompanhar comigo a análise desse trailer e como ele casa bem com essa música.

Já no primeiro verso a música casa perfeitamente com a primeira cena do trailer, que mostra o conflito entre as visões da população sobre o Super Homem. Uma estátua, prova de adoração e homenagem, pichada com um protesto mostra a confusão pela qual o próprio Clark passa internamente em todas as diversas jornadas já mostradas de sua história.

Em sua jornada clássica, Clark sempre tem como seu maior desafio o de encontrar seu destino verdadeiro na Terra, sempre seguindo os ensinamentos de seu pai Jonathan Kent. A caminhada de Clark é em busca do autoconhecimento.

Em seguida a música parece falar sobre Bruce. Quem assistiu a trilogia do Batman do Nolan sabe que Bruce batalhou muito para ser mais do que o bilionário herdeiro do império Wayne. Seu objetivo sempre foi ser além do rosto por trás de uma companhia rica e salvar sua cidade do mal que levou seus pais.

Porém como fazer isso, como enfrentar tudo e todos sendo apenas humano? Nesse caso, como enfrentar um “Deus” sendo apenas humano?

No refrão, temos o casamento perfeito da cena mais icônica dos trailers até agora. Uma frase que já entrou para a história do cinema mesmo antes do filme ser lançado (aquele lance da antecipação, lembra?).

Depois deste post, estou mais ancioso por um novo álbum de Sandy & Júnior do que para o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice.

Observação: para fins dramáticos do post, desconsiderei totalmente que a música de Sandy & Júnior é uma versão nacional da música Superman (It’s Not Easy), do Five for Fighting, que por sua vez é baseada no próprio Superman, o que facilita muito a relação entre a canção e qualquer história do homem da capa.

BooJack Horseman

BoJack Horseman: quase genial, quase hilário

Não sou lindo e quando eu nasci também não era. Mas durante um curto período que começou a partir do 7º mês e durou mais ou menos até o 4º ano da minha vida eu era muito lindo. Do tipo modelo infantil. Tão lindo que recebi propostas para trabalhar como modelo infantil. Infelizmente, minha mãe recusou por medo de ser um golpe e gosto de imaginar que, em dois universos paralelos minha mãe aceitou a proposta, mas só em um deles trabalhei como modelo mesmo, no outro eu moro na Europa, sem saber o valor que meus supostos pais pagaram por mim.

Minha vida de lindo começou a desmoronar subitamente quando minha mãe, preocupada com os afazeres diários de dona de casa, me deixou sozinho na cama de cima de um beliche. Como a lei de Murphy manda, a possibilidade daquilo dar muito errado aconteceu e eu cai de uma altura de mais de um metro e menos de dois metros e meio (pensa numa preguiça de procurar os tamanhos médios de um beliche…). Cai de cara no chão, sobre um caroço de feijão. A marca do caroço permanece até hoje, no lado esquerdo da minha testa atrapalhando toda simetria possível do meu rosto. Estava acabada assim a minha trajetória como lindo.

Essa queda, porém, parece não ter tido influência apenas na minha aparência física. Ele bagunçou levemente meu cérebro. Apesar de não ter prejudicado meu intelecto acima da média, próximo de gênio (isso também mudou em determinado momento da minha vida, mas isso é história para outro momento), a queda deixou traços na minha capacidade de avaliação. Isso significa que durante a vida toda, curti coisas de qualidade questionável. Como por exemplo a série da Netflix BoJack Horseman.

BoJack Horseman é sobre: traumas

Tal como esse meu prólogo, BoJack Horseman é sobre traumas e suas consequências. BoJack é o famoso ex-ator em atividade, ou seja, vive dos louros ganhados em seus tempos áureos a frente do famoso sitcom noventista Horsing Around e não tem a menor vontade e/ou capacidade de se reinventar. Como casualmente acontece com uma celebridade hollywoodiana, BoJack finge não entender sua decadência e não se preocupa com o futuro.

Na verdade, a maior parte das preocupações de BoJack estão no passado. Uma infância infeliz devido a relação conturbada dos pais, um início de carreira confuso e a dificuldade de se relacionar com as pessoas aparecem a todo momento em flashbacks para explicar o porquê do comportamento atual do ex-ator em atividade. Esse recurso, aliás, apesar de ser a característica principal da série, se torna cansativo com o tempo.

Secretariat (BoJack Horseman)

Essa cena é sobre traumas. E que cena!

Também é sobre: personagens

Apesar de ter um roteiro extremamente centrado no protagonista, ainda sobra espaço para os diversos personagens da série se desenvolverem em seu entorno. Todd, personagem de Aaron Paul, é quase uma revisita (para não dizer plágio) a seu personagem em Breaking Bad, Jesse Pinkman. Desleixado e sem rumo na vida, Todd lembra muito o Pinkman antes do império da metanfetamina.

Ainda temos a vietnamericana Diane, escritora fantasma de na tentativa de escrever uma biografia fidedigna de BoJack se vê em conflito com os próprios dilemas. Diane é namorada do Senhor Peanutbutter, um ator que estrelou uma série concorrente de Horsing Arround e por isso deveria rivalizar com Horseman, mas Peanubutter admira muito seu colega. Por último, mas não menos importante, temos Princesa Carolyn, ex-namorada e empresária de BoJack Horseman, viciada em trabalho e frenética, mas sem tempo para sua vida particular.

Outros personagens recorrentes são apresentados e desenvolvidos no decorrer da série, cada um com seu tempo certo.

Por fim, é sobre: Antropomorfismo

Bojack é um cavalo-humano, Senhor Peanutbutter é um cachorro-humano e a princesa Carolyn é uma gata persa humana. Eles não estão isolados nesse universo, a variedade de personagens meio animais, meio humanoides é completa e isso acaba fazendo parte naturalmente das piadas da série, mas sem forçar a barra e focar apenas nisso.

antropomorfismo

Um cavalo humano demais.

 

camara

Quem é você na Câmara dos Deputados?

Vivemos um momento belo da nossa democracia. Finalmente deputados estão ficando famosos e famosos estão ficando deputados. Se isso é bom ou ruim, não importa, afinal o mundo será comandado por computadores muito antes de que conseguirmos tirar algo realmente bom desse sistema político que parte do princípio que é uma ideia genial colocar a decisão do futuro de um povo na mão do povo do presente que é altamente afetado pelas péssimas decisões deste mesmo povo no passado.

O fato é que agora muita gente conhece grandes personalidades da Câmara dos Deputados, seja por boas razões ou péssimas. E todo mundo quer se sentir representado pelas grandes figuras que figuram (que delícia usar a língua portuguesa da maneira mais preguiçosa possível) pelo planalto. É por isso que quanto maior é a exposição de um político da casa, maior as chances dele receber mais votos nas eleições seguintes, mesmo que essa exposição se dê devido as asneiras que o político em questão diga ou faça.

Não perca tempo, faça o teste e descubra quem te representa na grande novela que é aquele fingimento todo.

Sugerido pelo grande Jeffs, o War Machine do Oeste.

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Football Manager: descubra seu verdadeiro time do coração

O grande

Por meados de 1992, me questionaram para que time eu torcia. Por algum motivo que não sei bem porque, respondi Palmeiras e essa foi a minha resposta pelos anos que se seguiram. Claro que não foi difícil aprender a gostar daquele time que escolhi quase que aleatoriamente baseado no meu pífio conhecimento de futebol. Para quem gosta de futebol, se apaixonar por qualquer clube grande é muito fácil, porque todos possuem grandes momentos e ídolos em sua história. Mais fácil ainda era gostar do Palmeiras nos anos 90.

Palmeiras de 1993  (Football Manager)

Craques, títulos, uniforme bicolor e patrocínio da Parmalat: era humanamente impossível não gostar desse time.

Essa relação de amor só se fortaleceu com o decorrer dos anos, nos altos e nos baixos, seguindo a lógica. Porém que lógica havia nisso?

O pequeno

Evolução dos Escudos do Cianorte  (Football Manager)

Apesar de sempre me declarar palmeirense, acompanhar e torcer pelo alvi-verde pela TV, eu sempre fui ao estádio torcer por outras cores: o azul e vermelho. O porco me garantia grandes alegrias de longe, mas quem me garantia fortes emoções ao vivo era o leão. Foi a partir de 1996 que passei a ter a tradição de ir para o estádio com os amigos acompanhar os jogos do Cianorte Futebol Clube. Nos aproveitamos da promoção que permitia que crianças menores de 7 anos entrassem de graça até muito depois dessa idade.

O campeonato era bem menos pomposo do que o Brasileirão ou a Libertadores, mas torcer pelo sucesso improvável do Cianorte na 3ª divisão do Campeonato Paranaense era tão intenso quanto. E ainda contava com uma vantagem que o Palmeiras nunca pode me oferecer: o contato direto com o time, a alegria de fazer parte da torcida.

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Demolidor: o homem com medo

Aquele que nunca menosprezou o Demolidor uma vez na vida que atire a primeira pedra. Comigo a história não foi diferente. O motivo também deve ser o mesmo para todos: a sinopse do personagem parece forçada.

Quando ouvi da existência do Demolidor pela primeira vez, pensei “que cego nada, se ele usa seus poderes para enxergar, não é cego”. Essa é a visão (rá) deturbada que temos dos cegos, que só conseguiriam perceber o mundo tão bem ou melhor que nós se tivessem super poderes, que é impossível contornar a falta de um sentido. A representação do personagem no mal falado “filme do Ben Affleck” não ajudou em nada para mudar esse conceito, pelo contrário. O desespero por colocar efeitos especiais de última geração na película (hahaha que tosco se referir a filme desse jeito só para não repetir a palavra) só reforçou a sensação de que Matt enxergava sim, enxergava até mais do que pessoas sem deficiência visual.

Visão de radar do Demolidor

A visão de radar do Demolidor parecia uma supervisão no “filme do Ben Affleck”.

Por isso, quando Netflix e Marvel anunciaram a nova série, não pude deixar de franzir a testa e me questionar: seria essa uma aposta ousada das duas empresas ou eu que nunca entendi bem o personagem? No fim, é um pouco dos dois. E ainda bem que essa aposta louca deu certo e me fez finalmente captar a essência do Demônio Atrevido, o homem sem medo.

Matt Murdok, a pessoa por trás dos óculos escuros é um personagem muito mais interessante e profundo do que aquele advogado louco por justiça que vi vez ou outro em algum episódio do glorioso desenho do Homem Aranha dos anos 90. Trata-se de um órfão, que perdeu seu pai para a violência que parece ser parte intrínseca da Cozinha do Inferno, a cidade que, mais tarde, Demolidor e o Rei do Crime tentam curar, cada um a sua maneira. Matt decide se tornar um advogado, por sua paixão pela justiça, mesma paixão que o leva a se tornar um justiceiro.

Matt não está sozinho. Na verdade, está muito bem acompanhado.

Sozinho, Matt seria um personagem interessante de se acompanhar. A evolução dessa sede de justiça, os desafios do início de carreira como advogado aliada a dificuldade em esconder sua outra faceta. Mas Matt não está sozinho. Na verdade, está muito bem acompanhado. Primeiro, tem a companhia de Fog, que é muito mais do que um sidekick, é um verdadeiro parceiro, aliado, comandante, capitão, tio, brother, camarada, chefia e amigão. Depois com a surpreendente Karen Page, que foge lindamente do padrão donzela em perigo. Tem força, personalidade, iniciativa.

Mas o que engrandece um herói é um vilão a sua altura e aqui temos um imenso vilão. Wilson Fisk já é grande, mas cresce muito mais com a impressionante atuação de Vincent D’Onofrio, sem dúvida merecedora de um Emmy. A construção de King Pin é tão boa quanto a do próprio Demolidor, dando a real ideia de onde vem a motivação para tanto ódio e a dualidade entre controle e descontrole do personagem.