Papo Cabeça

Ateísmo: a nova escolha dos idiotas


Por muitos anos, eu diria até o fim dos anos 90, as religiões eram soberanas, sobretudo a Católica. Se não ser católico já era motivo para preconceito, imagine então declarar-se sem religião. Logo se formava uma rodinha de velhas corocas, e Ave Marias eram rezadas para exorcizar sua pobre alma.


Sai, demonio, esse corpo não é ateu!


Mas a era da informação trouxe um panorama diferente. Pessoas sem crença declarada passaram a perceber que não estavam sozinhas no mundo, e mais, eram muitos e muitos. Logo, ser ateu deixou de ser um ato de rebeldia, uma maldição, uma influência demoníaca e passou a ser uma escolha consciente, sadia e respeitável. Bem, na verdade não é bem assim.


Pesquisas mostram que ateus são odiados pelo brasileiro. Ao ver isso, estranhei: o que os ateus fizeram de ruim? Mas com o passar do tempo cheguei a conclusão derradeira: EU TAMBÉM DETESTO ATEUS.

Sim, detesto ateus tanto quanto crentes (aqui incluo toda religião que exija algum tipo de pregação da ‘palavra’). Por que? Porque ateus estão cada vez mais chatos. Dizem que não crêem em nada, mas acreditam cegamente em “dados científicos comprovados”, sem nem ter idéia do que estão falando. Não admitem que outros tenham religião, como se a ciência já tivesse respondido todas as perguntas do universo. E assim como qualquer religião, tentam impor seu estilo de vida para todos.

Não estou falando de todos os ateus, assim como não falo de todos os crentes. Mas a tendencia está aí, é só reparar. Não fique surpreso se em breve um grupo de garotos bem vestidos aparecerem em sua porta, com exemplares da Science e da Superinteressante, explicando a teoria do Big Bang, desmentido a morte e ressurreição de Cristo e dizem que Buda foi só um filosofo obeso.

Não tenho religião, mas se preciso for, vou na igreja, seja ela qual for. Até o Sheldon, do The Big Bang Theory, sabe como é importante às vezes ceder às convenções sociais. Spock também entenderia. É lógico.

Por fim, se você é ateu, good for you. Se você tem uma religião, much better. Se você quiser discutir abertamente isso comigo, fine. Agora, se você quer me mostrar sua verdade, FUCK OFF!

Sou Agnóstico, assim como o Roberto Teixeira.

Agnóstico: um ateu que perdeu a fé.

Brasil: Um país simplesmente hardcore

Imagine um onde você pode ser processado por fazer uma piada claramente inofensiva. Um país que gosta de criticar, mas nunca de ser criticado. Um país onde um esporte é motivo para destruição sem sentido. Agora imagine-o ao som de Sabotage, do Beastie Boys. Pois é, esse caos todo lembra muito o Iraque, Irã ou qualquer país árabe (ah, esqueci de acrescentar um leve preconceito xenofobico enrustido), mas não. É no Brasil, onde a situação está deplorável.

Em Curitiba, a insanidade usa o uniforme de um dos três times ‘grandes’ da cidade. Em dias de jogo a quebradeira e a violência começam antes e continuam depois. Me pergunto o todo o prejuízo compensa. Torcedores fanáticos (não confundir com a famosa torcida do Atlético, mas também não isenta-la) fazem arrastão, destroem diversos locais e agridem, verbal ou fisicamente, qualquer pessoa que possa, eu disse POSSA, ser torcedor de um dos rivais. E eu nem moro em Curitiba, mas toda vez que passo por lá vejo isso.
Mas não é só a capital paranaense que sofre com a insanidade das torcidas. Vide o caso Vagner Love. Ele é mala sim, pipoqueiro de mão cheia e talvez não mereça o salário que recebe. Mas agredi-lo pelo mal exercício da profissão não é coisa de gente normal. E ainda nos assustamos quando vemos jogadores sendo ameaçados por Shakes em times do Oriente Médio.
Talvez o problema do brasileiro seja essa paixão religiosa que nutre pelos seus times e, as vezes, pelo país. O cara torce pelo time e por ele deve fazer tudo, tudo mesmo, senão não é torcedor. Quem ama o clube de verdade deve lutar por ele, defende-lo com unhas e dentes. Isso no papel é lindo, mas na prática gera isso que vemos no vídeo acima. Pessoas que colocam seus clubes à frente de suas vidas e, quando o primeiro desaba, a segunda não faz mais sentido. Então, liga-se o “foda-se”.
Robin Williams fez uma piada que qualquer um de nós faria. Desde os mais patriotas até os que odeiam essa nação. Mas ele é estrangeiro. Então merece pagar por se utilizar de fatos consumados (turismo sexual e trafico de drogas no Brasil) para fazer uma piada (só faltou utilizar a tag #piada ou #standupbr na frente). Como disse o Cardoso, nós não temos senso de humor nenhum. Humoristas daqui são vigiados de perto e enquadrados à qualquer deslize. E ai do jornalista que ousar falar de sua santidade o presidente ou ainda da gostosura imensa das mulheres de Ipanema.
Mas percebeu que todas essas reações e manifestações de paixão, ódio e loucura são por motivos absolutamente futeis. E quando existe uma reação raivosa movida por política ela sempre tem algo muito maior por trás, que envolve manipulação das massas. Não trata-se de uma revolta, trata-se de um golpe.
Ou seja, não admitimos liberdade de expressão, não valorizamos política e temos nosso cotidiano controlado pelo futebol, a paixão nacional.
Não está fácil viver no Brasil.