Kinder Ovo

Ovos de Páscoa são machistas

Ovos de Páscoa são machistas. Afinal, você não vê ovários de chocolate por aí nessa época do ano, vê? Na verdade, o evento todo é machista. Um coelho (macho) sai de casa para entregar ovos de chocolate que obviamente não foram produzidos por ele, já que sabemos quem bota ovo na natureza é sempre a fêmea. A coelha provavelmente fica em casa, fazendo os serviços do lar, ao qual a sociedade patriarcal à condenou.

 

Kinder Ovo

 

Recentemente, uma fanpage muito séria constatou o suprassumo do machismo pascal. Ovos de Pascoa sexuados, versão para menino e versão para menina. Enquanto a denuncia e os revoltos se concentraram apenas nas cores predestinadas para meninos e meninos, fui mais além, entrei no site do fabricante para entender a maldade por trás deste produto supostamente inocente. O site se divide em:

 

Meninas

  • Surpresas Ovo Maxi: Borboletinhas no Jardim, Porta Retrato, Porta-Jóias, Encontre os Pares;
  • Surpresas Ovo: braceletes, fotos de animais, réguas de desenho, animais montáveis, animais que atiram água, kit de realidade aumentada e outros que não pude identificar
  • Surpresas Pucca: itens personalizados da adorada personagem asiática;
  • Surpresas Fadas: pulseiras e colares de fadas.

 

Meninos

  • Surpresas Ovo Maxi: Basseball, Pesca-Pesca, Árvore Equilibrista, Catapulta;
  • Surpresas Ovo: carrinhos, aviõezinhos, helicópterinhos, barquinhos, dinossaurinhos, peteca;
  • Surpresas Batman: tudo sobre Batman;
  • Surpresas New Holland: várias miniaturas de máquinas da New Holland.

 

Além disso, ainda existe uma linha assexuada, a Natoons, que vem com braceletes de animais num dos ovos e bichinhos no outro.

 

Conclusão: é sim uma tentativa de subjugar meninos e meninos a comportamentos padrões já que os pais não tem acesso às surpresas e, portanto, são obrigados a aceitar o que foi estipulado pelo fabricante. Se pelo menos existisse um hotsite onde os pais pudessem escolher com os filhos e filhas qual dos ovos escolher baseados nas possíveis surpresas, mas não.

 

Pelo menos uma coisa é certa: ninguém que é contra o machismo fará propaganda gratuita para esta empresa, divulgando seus produtos inovadores desta Pascoa.

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Como descobrir se uma imagem é falsa antes de compartilhar para seus amigos no Facebook

O Facebook tem substituindo várias de nossas interações sociais. Portanto, o que acontece nessa rede social tem uma boa influência na formação de opinião. Isso seria ótimo, se não fosse nossa incapacidade de duvidar de tudo que vemos ou nossa facilidade de, quanto mais revoltante ou impactante o que está diante de nossos olhos, acreditarmos.

Acredito que as pessoas seriam menos enganadas se soubessem alguns passos bem simples para verificar a veracidade de uma história. Vejam só este exemplo.

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Real ou falsa? Vamos descobrir.

Passo 1) Procurando pela imagem no Google Images

Basta arrastar a imagem (direto do Facebook mesmo) para dentro da caixa de pesquisa do Google Images.

Pesquisando por imagem no Google

Resultados

Resultados de busca por imagem no Google

Agora você já sabe que a história é falsa (no exemplo, o que seria um chip do diabo na verdade é um chip para animais de estimação).

 Update

Agora ficou mais fácil ainda para quem usa o navegador Chrome. Basta clicar com o botão direito sobre a imagem e escolher a opção “Pesquisar essa imagem no Google”. Mais fácil que isso é difícil.

Passo 2) Procurar por elementos da história no Google

Se procurar pela imagem não foi suficiente, procure por palavras chaves relacionadas à história e analise os resultados.

Você não vai querer que eu coloque um print screen de uma pesquisa aqui agora, né?

Nunca pesquisou no Google, cara? Aposto que se fosse para confirmar a veracidade de um filme íntimo de uma famosa que caiu na net você viraria um  Sherlock Holmes, mas na hora de compartilhar mentira sobre maltrato de animal você não tá nem aí, né?

Pare de compartilhar história que você não sabe se é real só para dar lição de moral nos seus amigos porque eles te conhecem e sabem que você não tem moral. Compartilhe histórias REAIS, aí eles decidem o que acham, não é melhor assim?

 

Num próximo post vamos conversar de perto sobre indiretas, ok?

Interpretando o vídeo de Morgan Freeman sobre racismo

Todo ano quando quando nos aproximamos do Dia da Consciência Negra daqui ressurge o vídeo de um trecho de uma entrevista com uma fala de Morgan Freeman sobre racismo no programa 60 minutes, de 2005.

O vídeo tem feito sucesso no Facebook, inclusive (talvez até principalmente) entre os negros. As pessoas acreditam que o melhor modo de acabar com o racismo é parar de falar sobre ele, e usam esse trecho da entrevista para reforçar isso.

Não faço ideia de como isso funcionaria, mas vamos tentar montar um quebra-cabeça.

O que pensa Morgan Freeman?

O programa se chama 60 minutes, mas temos temos menos que 60 segundos aí, e são 60 segundos que não concluem uma ideia. Morgan Freeman diz que acha o mês da história negra (equivalente ao dia da consciência negra americano) ridículo, e que vamos acabar com o racismo parando de falar nele.

Bandeira do Mississipi

Pois em 2001, Freeman apoiou uma proposta de lei que pretendia mudar a bandeira do Mississipi, por esta conter a bandeira da Confederação, união de estados sulistas que, entre outras coisas, defendeu o regime escravocrata na Guerra Civil Norte-Americana. Freeman considerou A HISTÓRIA americana para ser contra a utilização de “símbolos racistas”.

Mais recentemente, em 2011, o ator disse que alguns ataques à Barack Obama feitos pelos Republicanos eram puramente racistas.

Então, imagino que ele seja contra dividirmos as pessoas em raças, criarmos um mês para falarmos sobre a história de uma raça específica, mas não que negue a existência do racismo e a necessidade de combate-lo.

O que eu penso

Num mundo perfeito, onde não existe racismo e todos os danos gerados por algum racismo pré-existente foram consertados com justiça e/ou consciência social coletiva, falar de racismo não faria sentido. Mesmo assim você poderia usar a cor da pele das pessoas como uma característica física (que ela é, de fato), como é a altura, o tipo de cabelo, a cor dos olhos, sem medo de ser considerado racista por isso, pois todos saberiam que não existem raças na espécie humana.

Em nosso mundo não perfeito o que podemos fazer é parar de separar as pessoas por raças. 1º presidente negro? E daí, é um humano como todos do nosso tempo. Mas sem esquecermos de nosso passado recente e de casos cada vez mais isolados do presente.

Para que não se fale de racismo no futuro, precisamos falar muito dele no presente, para que tenhamos a consciência do quanto erramos no passado.