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Operárias chinesas e os brinquedos que produzem

A China é mundialmente conhecida por produzirem os mais diversos produtos industriais a baixo custo. O que mais influencia para este custo é a desvalorização da mão de obra. Operários chineses trabalham muito e recebem pouco. Em 2010, a média salarial de um migrante chinês foi de U$240,00, o que não é o bastante para cobrir os custos básicos dos trabalhadores e suas famílias (mas já seria classe média no Brasil, segundo o governo).

No vídeo a seguir, a jornalista Leslie T. Chang fala sobre a situação destes trabalhadores sob a perspectiva dos mesmos.

Abaixo, algumas fotografias da da série “The Real Toy Story”, do artista alemão Michael Wolf, que mostram operárias e os brinquedos que estas fabricam, sem muitas vezes saber o que são devido à censura do país.

Venezuela pós-Chávez e as semelhanças com o Brasil

VENEZUELA-CHAVEZ/

Hugo Chávez morreu e mais uma vez temos um embate de ideias no Brasil entre os que amam e os que odeiam os governos esquerdistas da América Latina. Nem deu tempo da passagem de Yoani Sanchez pelo país ser esquecida.

Dessa vez podemos aproveitar a oportunidade para fazer comparações pertinentes da situação deixada por Chávez na Venezuela e a vivida no Brasil no momento. Para tanto, me dirigi ao fórum mais democrático e, portanto, imparcial do momento, onde discutia-se a notícia da morte. Um dos usuários, IvanLoL, está na Venezuela neste momento e vem repassando as primeiras impressões do país pós-Chaves. Em outro tópico, usuários debatem as implicações desta morte para a Venezuela e para o mundo, sendo a principal delas o fato de que uma nova eleição precisará ser chamada em até 30 dias.

Um comentário específico do leitor Pancho49 no artigo sobre a morte no site da CNN merece destaque. (Eu mesmo traduzi, então me avisem caso contenha algum erro)

Descanse em paz, Hugo Rafael Chávez Frias. Como venezuelano, eu não concordava muito com suas decisões e pensamentos políticos, mas não me alegro com sua morte e respeito a dor de sua família e amigos.

Em 1998, quando você se candidatou à presidência – e prometeu acabar com a corrupção – apesar de minha decepção com os partidos tradicionais, eu não apoiei você devido à sua tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Eu não gostava de Pérez, mas ele foi eleito por nosso povo e sua tentativa de derrubá-lo provou que você não respeitava o desejo dos venezuelanos.

Eu não fui contra 100% do que você fez. Eu sou grato, por exemplo, por você ter colocado o problema da pobreza sobre a mesa, colocando sob holofotes milhões de venezuelanos que até então estavam excluídos. Eu sabia que os médicos cubanos nas favelas eram despreparados e mal-equipados, mas eu entendo que eles significavam muito para mães que batiam em suas portas às 3 da madrugada. Eu também fiquei feliz com o modo que vários venezuelanos começaram a se importar com política de novo (alguns por apoiá-lo; outros por serem contra você). O sentimento anti-político que vi nos anos 90 foi exatamente o que te elegeu. E eu também entendo que a maioria dos venezuelanos te apoiava, então você certamente tinha o direito de estar no cargo.

Estas são minhas 10 razões pelas quais não sentirei sua falta:

1. Seu modo autoritário (que refletia um defeito que provavelmente a maioria dos venezuelanos tem), e sua inabilidade de entrar em um diálogo honeste com qualquer um que fosse contrário a você. Mesmo em seu leito de morte, você demitiu uma juíza da Suprema Corte porque ela são concordava com suas decisões políticas.

2. Seu desrespeito pela Império da lei e sua contribuição para o clima de impunidade na Venezuela. Em 1999, você reescreveu a Constituição para atender às suas necessidades, e mesmo assim você a violava quase diariamente. Com esse exemplo, não surpreende que o crime tenha explodido na Venezuela. Em 14 anos, nossa taxa de homicídios mais que triplicou de 22/100 mil para 74/100 mil. Enquanto juízes estavam ocupados tentando provar suas fidelidades políticas para você, somente 11% dos homicídios levaram à condenação.

3. Suas promessas vazias e o jeito que você manipulava muitos venezuelanos a pensar que você estava mesmo trabalhando para eles. Em 14 anos você construiu menos habitações públicas do que qualquer presidente anterior em seus mandatos de 5 anos. Hospitais de hoje não tem recursos, e se você for lá em emergência precisará levar tudo, desde remédios até luvas e mascaras cirúrgicas. A verdade é que você foi melhor tocando seu trompete do que em fazer as coisas.

4. O assombroso nível de corrupção de seu governo. Existia corrupção antes de você ser eleito, mas normalmente escândalos de governo não se tornavam públicos até o poder passar para as mãos de partidos da oposição. Agora, nós ficamos sabendo sobre milhões e milhões de dólares sumindo em frente aos olhos de todos e sua única reação era atacar a mídia que revelou a corrupção. Os únicos políticos acusados de corrupção foram de partidos da oposição, e a maioria foram acusações forjadas. Por exemplo, Leonardo Lopez nunca foi condenado pela corte, mas você ainda o proibiu de se candidatar. O crime dele? Usar dinheiro de alocação orçamentária errada para pagar os salários de professores e bombeiros – porque seu governo reteve os fundos apropriados.

5. As oportunidades que você perdeu. Quando você assumiu, o preço do óleo era $9,30 e em 2008 alcançou $126,33. Tinha tanta coisa boa que você poderia ter feito com esse dinheiro! Porém você decidiu jogar tudo fora na corrupção e comprando eleições e armas. Se você tivesse usado bem esses recursos, 10,7% dos venezuelanos não estariam na extrema pobreza.

6. Seus ataques contra a propriedade privada e empreendedorismo. Você nacionalizou companhias privadas e levou outras centenas a falência. Não porque você era comunista ou socialista, mas simplesmente porque você não queria nenhum poder contrário a você. Sendo todos funcionários públicos, você poderia forçá-los a participar de suas reuniões políticas, e a oposição não teria fundos.

7. Sua hipocrisia em liberdade e direitos humanos. Você fechou mais de 30 estações de rádio e televisão por serem criticas ao seu governo, negou o acesso à moeda estrangeira para jornais comprarem papel de impressão (cidadãos normais não têm acesso à moeda estrangeira sem autorização), prendeu pessoas por anos sem nenhum julgamento, prendeu pessoas por crimes de opinião, demitiu dezenas de milhares de funcionários públicos por assinarem uma petição por um referendo e os negou acesso a serviços públicos e até a identidades e passaportes.

8. Sua hipocrisia quanto ao problema de soberania da Venezuela. Você expulsou americanos, mas baixou as calças para os cubanos, russos, chineses e iranianos. Temos oficiais cubanos dando ordens ao exército venezuelano. Companhias chinesas de óleo trabalhando com uma margem de lucro maior do que as companhias ocidentais. E você deixou claro que suas alianças seriam com governos que massacram seus próprios povos.

9. Sua hipocrisia quanto à violência. Você disse que esta era uma revolução pacífica, mas permitiu que grupos armados como Tupamaros, La Piedrita e FBLN operassem. Deu armas a eles. Deixou os russos montarem uma fábrica de Kalashnikov na Venezuela. Foi crítico das guerras americanas, mas deu armas para a guerrilha colombiana, cujo os propósitos são matar e traficar drogas.

10. Sua hipocrisia sobre a democracia. Seu insulto favorito à oposição era “golpistas”, mas você esquece que organizou um golpe em 1992, e os militares que foram leais a você sugeriram que apoiariam um golpe a seu favor caso um dia a oposição vencesse as eleições. Não havia democracia em seu partido político: você escolhia todos os candidatos para a Assembleia Nacional e para os governos estaduais e municipais. Quando a oposição venceu o referendo que permitiria você mudar a Constituição em 2007, você repudiou os resultados e achou um jeito de mudar os artigos e permitiu a si mesmo ser reeleito quantas vezes quisesse. Manipulou as eleições em 2010 para ter certeza que a oposição não conseguisse mais que um terço das cadeiras do parlamento apesar de eles terem conseguido 51% do voto popular. Sua democracia era feita de papel, você fez questão que não houvessem sistemas de controle e todas as instituições eram seus fantoches.

Então não, Hugo, não sentirei sua falta. Descanse em paz, agora, enquanto tentamos reconstruir o país bagunçado que você nos deixou.

(grifos meus)

Por esse comentário, podemos traçar diversas semelhanças entre Chávez e Lula. As reações aos escândalos de corrupção, sempre culpando a mídia, a aproximação com governos, digamos, não ortodoxos, até a tentativa de se reeleger indiscriminadamente aconteceu.

Para o lado bom também foi igual. Lula também colocou o combate à pobreza como prioridade, algo que nunca tinha sido feito antes no país. E olha que foi custoso fazer as pessoas entenderem que não adianta o país crescer 40% por ano ao custo da fome de muitos.

É assustador perceber que realmente existe um “modus operandis” na América do Sul. Que o que foi feito na Venezuela, descrito no comentário acima, foi repetido na Bolívia, está sendo repetido na Argentina e enfrenta dificuldades para se instaurar no Brasil.

Mas 2014 está aí. Logo ali.

10 perguntas que Yoani Sanchez não vai responder (porque ninguém vai perguntar)

Semana passada o cenário político brasileiro pegou fogo graças a visita da dissidente Yoani Sanchez. Os dois grandes setores políticos (direita e esquerda) se preparam para divulgar ao máximo a passagem da blogueira pelo país e parece que deu certo.

Primeiro, a revista Veja acusou o embaixada cubana de distribuir material contra Yoani. Veja só o crime, um embaixador fazendo diplomacia, isso é um ultraje, o trabalho dele certamente não é defender os interesses de seu país…

Isso deixou todos em alerta quanto a chegada da moreninha, que passaria em branco, não fossem os esforços da UJS (União da Juventude Socialista, “jovens” com média de idade de 32 anos ligados ao PCdoB) para mostrar o quanto mais revoltados do que politizados (deveria ser ao contrário). Isso só surpreendeu os brasileiros mais perdidos, já que quem está atento sabe que é deste mesmo jeitinho simpático que UJS domina e usa a UNE (União Nacional dos Estudantes) como marionete há muitos e muitos anos. Aliás, o regime imposto pela UJS dentro da UNE é semelhante ao cubano, inclusive fazendo merda pra depois botar a culpa na mídia.

O resultado de tudo isso foi os “jovens” velhos da UJS querendo calar Yoani de um lado e os reacionários contrários à ditadura cubana (porém saudosos da ditadura brasileira) querendo dar voz à Yoani do outro. Yoani não conseguiu falar, e a UJS comemorou como nunca ter parado na capa da Veja.

Se tivessem permitido, talvez alguém perguntasse à blogueira uma série de perguntas que não saberia responder. Perguntas essas que ela já não soube responder em outra ocasião. E isso seria mais benéfico aos que defendem Cuba do que agredir quem a apoiou. Mas esses radicais políticos são muito radicais e pouco, muito pouco politizados (espero não apanhar na rua por isso, mas sei bem que a possibilidade existe e não é pequena…).

Mas se eu pudesse, faria a Yoani perguntas que ninguém pensou em fazer. Ou se pensou, não teria coragem. Perguntas que me esclareceriam como é de verdade a vida em Cuba (não há fonte confiável sobre o assunto, todas são contaminadas por ideologias) e quem é essa mulher que consegue ter um blog de sucesso em um país sem acesso à internet.

10 perguntas que Yoani Sanchez não vai responder

Perguntas em texto

Só um detalhe pra você: Cuba deve ser ruim, mas, até onde consegui apurar, não é a pior ditadura do mundo, nem o pior governo da América Latina e nem seus índices sociais elevados refletem bem-estar da população. A atenção dada a ela é puramente ideológica.

Tudo que você queria saber sobre Renan Calheiros, mas tinha vergonha de perguntar

Tudo que você queria saber sobre Renan Calheiros, mas tinha vergonha de perguntar

Pois é, a campanha das redes sociais “Fora Sarney” deu certo, mas não do modo que a gente esperava. Renan Calheiros é um substituto a altura, tão ambicioso quanto, cheio de apoio político e com total desaprovação da opinião pública.

Mas o efeito colateral dessa passagem foi a volta de Monica Veloso à tona. O interesse já deve ter atingido o pico e ela deve voltar ao ostracismo, a menos que a casa caia para o senhor Renan. Vamos acompanhar.

Reduz a energia e aumenta o combustível, que história é essa?

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No dia 7 de setembro do ano passado a Dilma anunciou que reduziria a tarifa de energia. Para isso, a ideia do PT era basicamente FERRAR as companhias distribuidoras em troca de prorrogar concessões. Algumas empresas não aderiram ao plano, sendo que as três que pesaram mais (Cesp, Cemig e Copel) são controladas por governos do PSDB.

No dia seguinte, o blog Implicante publicou um vídeo onde Luiz Carlos Prates fala que o tribunal de contas se reuniria para devolver dinheiro cobrado a mais dos clientes de energia elétrica por cobranças indevidas entre 2002 e 2010.Só que o TCU decidiu em dezembro que não tinha competência para isso e agora os clientes que quiserem devolução dos valores deverão entrar na justiça por conta própria.

Semana passada a presidenta anunciou a tal redução, que será em média de 20%, mas isso no valor do kWh, fora os encargos (que não são pouca coisa). Parte da redução será possível graças ao pagamento de uma dívida que a Itaipu tem com o governo. Dilma fez um pronunciamento redundante em relação ao de setembro e com algumas indiretas para a oposição.

Aproveitando o momento, a Petrobrás decidiu equiparar seus valores ao mercado internacional, porque há tempos vinha PERDENDO DINHEIRO para manter um preço “baixo” no mercado interno. O momento é oportuno pois assim poderia-se aumentar o combustível sem pressionar a inflação, aliviada pela redução da tarifa de luz. O aumento da gasolina foi de 6,6%, mas só 4% deveriam chegar às bombas.

Conclusões:

  •  Sim, Dilma está em campanha e usando dinheiro público para isso;
  • Não, o reajuste do combustível não foi alto, mas o preço é alto devido à enorme carga tributária;
  • Sim, provavelmente o PSDB fez de tudo para ferrar o plano do governo, mesmo que isso prejudicasse o povo;
  • Sim, os dois partidos são uma droga, votamos neles mais por covardia do que por burrice;
  • Não, não vai sentido dizer que o aumento da gasolina compensou a redução da tarifa de energia porque a discrepância é enorme.