Push Pop e Pirocóptero: pequenos enganos da infância

“Minha geração é melhor que essa” é o que a gente sempre escuta desde o início da civilização. Mas isso nem sempre é verdade (para não dizer quase nunca). O que acontece é que costumamos comparar qualidades nossas com defeitos dos outros. Então, é comum comparar a falta de criatividade da geração atual de crianças com a perspicácia dos pirralhos dos anos 90. Mas a verdade é que a gente não era tão esperto assim e eu te provo usando dois exemplos simples: push pop, pirocóperos.

 

 Push Pop

Se o marketing do pirulito Push Pop não serviu para transforma-lo num sucesso de vendas, pelo menos foi eficiente para fazer a marca grudar na cabeça de todas as crianças da época. A inocência não nos permitia maliciar esse negócio de enfiar o dedo no buraco e sair chupando. A idéia da parada era meio nojenta, inclusive: chupar o pirulito (as vezes dividindo com a galera) e guarda-lo todo babado para mais tarde.

Ouço a música até hoje nos meus pesadelos

♫ Puxe o Push Pop

puxe, é gostoso,

prove o Push Pop

e guarde de novo. ♫

Pirocóptero

Estávamos numa época onde a indústria, por algum motivo, investia nos pirulitos. Além do Push Pop, existia o Pirocoptero, que de tempos em tempos virava uma febre sem sentido. Ambos, inclusive, eram muito mais caros do que qualquer pessoa em sã consciência pagaria por um pirulito, mas esse era o preço por não haver legislação específica para a publicidade de produtos infantis.

O “brinquedo” não era nada além do que hélices que se acoplavam à haste do pirulito e o ápice da diversão era ver quem lançava o aparato mais alto.

Quem era muito pobre brincava com aquela semente que também parece uma hélice.

semente helicóptero

 

Todo aquele dinheiro gasto em pirulitos poderia ter sido economizado e daria pra comprar um carro ao completar 18 anos. Nossa geração foi iludida facilmente.

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