Demolidor: o homem com medo

Aquele que nunca menosprezou o Demolidor uma vez na vida que atire a primeira pedra. Comigo a história não foi diferente. O motivo também deve ser o mesmo para todos: a sinopse do personagem parece forçada.

Quando ouvi da existência do Demolidor pela primeira vez, pensei “que cego nada, se ele usa seus poderes para enxergar, não é cego”. Essa é a visão (rá) deturbada que temos dos cegos, que só conseguiriam perceber o mundo tão bem ou melhor que nós se tivessem super poderes, que é impossível contornar a falta de um sentido. A representação do personagem no mal falado “filme do Ben Affleck” não ajudou em nada para mudar esse conceito, pelo contrário. O desespero por colocar efeitos especiais de última geração na película (hahaha que tosco se referir a filme desse jeito só para não repetir a palavra) só reforçou a sensação de que Matt enxergava sim, enxergava até mais do que pessoas sem deficiência visual.

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A visão de radar do Demolidor parecia uma supervisão no “filme do Ben Affleck”.

Por isso, quando Netflix e Marvel anunciaram a nova série, não pude deixar de franzir a testa e me questionar: seria essa uma aposta ousada das duas empresas ou eu que nunca entendi bem o personagem? No fim, é um pouco dos dois. E ainda bem que essa aposta louca deu certo e me fez finalmente captar a essência do Demônio Atrevido, o homem sem medo.

 

Matt Murdok, a pessoa por trás dos óculos escuros é um personagem muito mais interessante e profundo do que aquele advogado louco por justiça que vi vez ou outro em algum episódio do glorioso desenho do Homem Aranha dos anos 90. Trata-se de um órfão, que perdeu seu pai para a violência que parece ser parte intrínseca da Cozinha do Inferno, a cidade que, mais tarde, Demolidor e o Rei do Crime tentam curar, cada um a sua maneira. Matt decide se tornar um advogado, por sua paixão pela justiça, mesma paixão que o leva a se tornar um justiceiro.

Sozinho, Matt seria um personagem interessante de se acompanhar. A evolução dessa sede de justiça, os desafios do início de carreira como advogado aliada a dificuldade em esconder sua outra faceta. Mas Matt não está sozinho. Na verdade, está muito bem acompanhado. Primeiro, tem a companhia de Fog, que é muito mais do que um sidekick, é um verdadeiro parceiro, aliado, comandante, capitão, tio, brother, camarada, chefia e amigão. Depois com a surpreendente Karen Page, que foge lindamente do padrão donzela em perigo. Tem força, personalidade, iniciativa.

Mas o que engrandece um herói é um vilão a sua altura e aqui temos um imenso vilão. Wilson Fisk já é grande, mas cresce muito mais com a impressionante atuação de Vincent D’Onofrio, sem dúvida merecedora de um Emmy. A construção de King Pin é tão boa quanto a do próprio Demolidor, dando a real ideia de onde vem a motivação para tanto ódio e a dualidade entre controle e descontrole do personagem.

 

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