O que aprendemos com o ‘enterro’ do carro de Chiquinho Scarpa

Quando Chiquinho Scarpa disse no Facebook que enterraria seu carro favorito, um Bentley de valor estimado de R$ 1 milhão, no quintal de sua casa, a reação foi imediata. Não houve na internet UM ser sequer que: 1) duvidasse da bizarra situação 2) defendesse o direito de Chiquinho de fazer o que quisesse com seus pertences.

A imagem de Chiquinho abrindo a vala com uma escavadeira então, nossa, essa gerou revolta por muitos motivos. Primeiro, porque todo mundo queria estar no lugar dele, pilotando máquinas pesadas usando um terno caríssimo. Depois porque o sonho da maioria é ter um bem de consumo tão estimado quanto um Bentley. Aquilo era uma ofensa ao sonho alheio.

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Como não se pode dizer “eu queria estar no lugar dele e isso me irrita”, claro que nós partimos para o “que crime, tanta gente passando fome e este cidadão gastando dinheiro com essa futilidade”, sendo que ninguém deixou de comprar GTA V essa semana para alimentar os famintos. Chiquinho foi acusado, jugado e condenado em menos de uma semana comercial, causando inveja nos acusados do mensalão, caso não concluído depois de 8 anos de enrolação.

Mas a vida, amigos, a vida é uma caixinha de surpresas. Dizem que a lição aprendida pelo choque jamais é esquecida e nada mais chocante do que perceber que publicitários contaram com seu julgamento errôneo para lançar uma campanha dessas. O ‘enterro’, na verdade, era para divulgar a campanha de doação de órgãos.

Chiquinho Scarpa Doação de Órgãos
‘Tem gente que enterra algo bem mais valioso, coração, rim, seus órgãos. Isso sim, é absurdo’.

Depois dessa, nos resta engolir o próprio orgulho e refletir o que aprendemos com isso.

Todos por todos, mas cada um na sua

Não devemos cuidar da vida dos outros, mas podemos pensar no bem estar de todos. Afinal, o que teria mais impacto na humanidade: impedir que alguém enterrasse o próprio carro de luxo ou doar um órgão? Saber a resposta óbvia a essa pergunta não nos impediu de se revoltar inutilmente, não é? Mas focar no que realmente importa é só uma questão de prática.

Não julgue tão depressa

Não importa quantas religiões, quantas campanhas digam que não devemos julgar o próximo (ou o anterior). Sempre caímos na tentação. E é ótimo quando acontece de estarmos errados a esse ponto. Alguns pensarão duas vezes na próxima vez.

Não subestime Chiquinho Scarpa

Ou qualquer outro milionário excêntrico. Eles sempre podem surpreender.

 

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