Interpretando o vídeo de Morgan Freeman sobre racismo

Todo ano quando quando nos aproximamos do Dia da Consciência Negra daqui ressurge o vídeo de um trecho de uma entrevista com uma fala de Morgan Freeman sobre racismo no programa 60 minutes, de 2005.

O vídeo tem feito sucesso no Facebook, inclusive (talvez até principalmente) entre os negros. As pessoas acreditam que o melhor modo de acabar com o racismo é parar de falar sobre ele, e usam esse trecho da entrevista para reforçar isso.

Não faço ideia de como isso funcionaria, mas vamos tentar montar um quebra-cabeça.

O que pensa Morgan Freeman?

O programa se chama 60 minutes, mas temos temos menos que 60 segundos aí, e são 60 segundos que não concluem uma ideia. Morgan Freeman diz que acha o mês da história negra (equivalente ao dia da consciência negra americano) ridículo, e que vamos acabar com o racismo parando de falar nele.

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Pois em 2001, Freeman apoiou uma proposta de lei que pretendia mudar a bandeira do Mississipi, por esta conter a bandeira da Confederação, união de estados sulistas que, entre outras coisas, defendeu o regime escravocrata na Guerra Civil Norte-Americana. Freeman considerou A HISTÓRIA americana para ser contra a utilização de “símbolos racistas”.

Mais recentemente, em 2011, o ator disse que alguns ataques à Barack Obama feitos pelos Republicanos eram puramente racistas.

Então, imagino que ele seja contra dividirmos as pessoas em raças, criarmos um mês para falarmos sobre a história de uma raça específica, mas não que negue a existência do racismo e a necessidade de combate-lo.

O que eu penso

Num mundo perfeito, onde não existe racismo e todos os danos gerados por algum racismo pré-existente foram consertados com justiça e/ou consciência social coletiva, falar de racismo não faria sentido. Mesmo assim você poderia usar a cor da pele das pessoas como uma característica física (que ela é, de fato), como é a altura, o tipo de cabelo, a cor dos olhos, sem medo de ser considerado racista por isso, pois todos saberiam que não existem raças na espécie humana.

Em nosso mundo não perfeito o que podemos fazer é parar de separar as pessoas por raças. 1º presidente negro? E daí, é um humano como todos do nosso tempo. Mas sem esquecermos de nosso passado recente e de casos cada vez mais isolados do presente.

Para que não se fale de racismo no futuro, precisamos falar muito dele no presente, para que tenhamos a consciência do quanto erramos no passado.

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