Qual o estopim do brasileiro?

Um cidadão, cansado de ser explorado por um governo ditador, ateia fogo sobre o próprio corpo. Aqui no Brasil essa atitude viraria motivo de chacota e o inscreveriam no Darwin Awards, mas no Egito, onde isso aconteceu, a revolta foi tamanha que deu início à Primavera Árabe.

Um cidadão da periferia é morto por policiais. O que aqui no Brasil seria visto como uma situação corriqueira, cotidiana, trivial, na Inglaterra fez despertar a fúria dos moradores dos bairros mais pobres, cansados à muito do tratamento que recebiam das autoridades. (Se você acredita na imprensa estrangeira que insiste em chamar os protestantes de baderneiros, o vídeo abaixo vai de abrir os olhos)

A sabedoria de um senhor simples e o tratamento parcial da imprensa. Revolte-se!

Em ambos as situações as sociedades envolvidas estavam em uma panela de pressão, prestes á estourar e bastou um ato, um fato para que toda a ordem que se mantinha se desestruturasse diante dos olhos daqueles que levavam vantagem. Foi o estopim.

No Brasil, vivemos em uma panela de pressão muito mais agitada. As ondas de violência daqui são tsunamis, o descaso com a classe operária é institucional, a corrupção é recorrente e o pensamento da juventude é descartado. Ano após ano, observamos de uma distância segura nossos impostos irem para a enorme vala da máquina política, sob a promessa mentirosa que em breve uma reforma virá. Qualquer povo submetido a essa situação estaria com os nervos á flor da pele, pronto para forçar as mudanças que necessita. Só é preciso um estopim.

Poderia ser uma criança de 11 anos assassinada cruelmente por policiais militares, caso que deu repercussão porque foi mal encobertado, quantos Juan morreram em becos da favela apenas por serem pobres?

caso juan

Poderia ser o aumento abusivo dos próprios salários por parte dos deputados, 61,8%, gerando um efeito cascata constitucional, porém imoral, que deu margem para que um certo governador corrupto e seus comparsas aumentassem seus salários duas vezes no mesmo ano… Não, nada disso revoltou ou mesmo produziu alguma mobilização relevante por parte dos nossos compatriotas.

Por outro lado, a PL-122 e a legalização da união civil entre casais homossexuais geram um debate desproporcional, uma revolta digna de levar 30 mil intolerantes disfarçados de religiosos para a frente do congresso nacional, exigindo que seus direitos de interferirem nas escolhas individuais sejam mantidos.

manifestacao-contra-plc-122

 

O brasileiro está com os valores cívicos deturpados, mas a pressão está aí, a revolta está próxima. Mas qual é o nosso estopim? A proibição do consumo de álcool? A legalização do aborto? A descriminalização da maconha? Ou qualquer outro avanço de pensamento que não seja o falso moralismo conivente?

Eu acho que a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014 tem tudo para ser o início de uma revolta sem precedentes. Pois nada mais importa. Nada.

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